Novos critérios para diagnóstico de Alzheimer: o papel dos biomarcadores e da avaliação neuropsicológica
Novos critérios de 2024 para diagnóstico de Alzheimer destacam biomarcadores e perfis neuropsicológicos. Saiba como identificar a doença mais cedo.
DIAGNÓSTICO
8/24/20253 min read


O diagnóstico da Doença de Alzheimer (DA) passou por mudanças profundas.
Em 2024, a Alzheimer’s Association Workgroup publicou critérios revisados que alinham a prática clínica aos avanços mais recentes da neurociência (Jack et al., 2024).
Esses critérios consolidam uma visão biológica da doença: o Alzheimer não é definido apenas pelos sintomas clínicos, mas pela detecção de alterações neuropatológicas específicas por meio de biomarcadores.
A avaliação neuropsicológica, por sua vez, continua sendo essencial para mapear os perfis de comprometimento cognitivo e funcional (Almkvist et al., 2025).
1. Do diagnóstico sindrômico ao diagnóstico biológico
Tradicionalmente, o diagnóstico era feito com base nos sintomas — perda de memória, alterações cognitivas e funcionais. Agora, a DA é considerada uma condição biológica, identificada ainda em fases assintomáticas.
Biomarcadores Core 1 (iniciais): PET amiloide, líquido cerebrospinal (CSF) com Aβ42/40, p-tau181/Aβ42, t-tau/Aβ42, além do plasma p-tau217, que já apresenta acurácia comparável ao PET e ao CSF. Um biomarcador positivo de Core 1 é suficiente para confirmar Alzheimer (Jack et al., 2024).
Biomarcadores Core 2 (posteriores): tau PET, MTBR-tau243 e p-tau205, associados à manifestação clínica e úteis no estadiamento da gravidade.
Além desses, outros marcadores complementares incluem neurodegeneração (MRI, FDG-PET, NfL), inflamação (GFAP), lesão vascular e sinucleinopatias (Jack et al., 2024).
2. Perfis neuropsicológicos no diagnóstico
Enquanto os biomarcadores definem a biologia da doença, a avaliação neuropsicológica mostra como ela se manifesta no indivíduo.
No Comprometimento Cognitivo Leve (CCL) associado ao Alzheimer, já é possível identificar falhas em tarefas de supraspan memory e déficits precoces em memória episódica verbal e visual (Almkvist et al., 2025).
Nos perfis típicos, predominam alterações de memória episódica, atenção sustentada e funções executivas.
Nos perfis atípicos, podem surgir alterações visuoespaciais (apresentação posterior), de linguagem (afasia logopênica) ou comportamentais (Alzheimer em idosos com comorbidades múltiplas).
Essa integração permite diferenciar estágios pré-clínicos, sintomas iniciais e fases avançadas (National Institute on Aging; Alzheimer’s Association, 2018).
3. Estadiamento integrado
Os critérios revisados (Jack et al., 2024) propõem um estadiamento biológico-clínico:
Estágio A (inicial): PET amiloide ou plasma p-tau217 positivo, sem sintomas.
Estágio B (precoce): Tau PET com alterações no lobo temporal medial, CCL com déficits em memória episódica.
Estágio C (intermediário): Tau PET em regiões neocorticais, sintomas cognitivos múltiplos.
Estágio D (avançado): Tau PET difuso, neurodegeneração extensa, síndrome demencial estabelecida.
4. Implicações práticas Diagnóstico precoce — identificar Alzheimer antes dos sintomas.
Maior precisão — combinação de biomarcadores e perfil neuropsicológico reduz erros.
Personalização — perfis cognitivos distintos permitem planos de reabilitação específicos.
Tratamentos emergentes — biomarcadores já são fundamentais para definir elegibilidade para terapias anti-amiloide e anti-tau.
Conclusão
O Alzheimer não é apenas uma doença da memória: é um processo biológico detectável antes dos sintomas.
Os novos critérios revisados de 2024 afirmam que um biomarcador Core 1 positivo já define a doença, enquanto os perfis neuropsicológicos ajudam a compreender como ela se expressa em cada pessoa.
Para pacientes e familiares, isso significa diagnósticos mais precoces, tratamentos mais direcionados e acompanhamento mais eficaz.
Referências
ALMKVIST, O. et al. Supraspan memory performance is impaired in subjective cognitive impairment compared to cognitively unimpaired individuals. Scientific Reports, v. 15, n. 23071, 2025. doi:10.1038/s41598-025-23071-5.
JACK, C. R. Jr. et al. Revised criteria for diagnosis and staging of Alzheimer’s disease: Alzheimer’s Association Workgroup. Alzheimer’s & Dementia, v. 20, p. 5143-5169, 2024. doi:10.1002/alz.15829.
NATIONAL INSTITUTE ON AGING; ALZHEIMER’S ASSOCIATION. 2018 NIA-AA Research Framework: Toward a biological definition of Alzheimer’s disease. Alzheimer’s & Dementia, v. 14, p. 535–562, 2018. doi:10.1016/j.jalz.2018.02.018.